Ressurreição. Acho que desta vez estamos vivendo, literalmente, a Páscoa recheada de todas as suas diversas e profundas interpretações.
Especialmente revendo o jeito de sermos gente. E é nesta vibe que somos brindados com O Julgamento, Arcano XX, que começa os próximos dias conjugando os verbos (de uma longa lista) que iniciam com RE. Recomeçar, rearrumar, receber, refazer, resolver… E termina a semana reunindo os afetos e amores, pois a turma do deixa-disso lá do céu estará com a corda (e a vontade) toda. Nessa onda, resolvi repensar alguns conceitos e tratei logo de ir confabular com os meus alfarrábios, coisa que amo fazer, especialmente quando estou à toa.

 

Se os sentidos são responsáveis pela nossa capacidade de interpretar o ambiente, começo apelando para os cinco da percepção humana, e por que não, também para o sexto que, para mim, se chama intuição aguçada (e que raramente falha). Revê-los agora me pareceu uma boa ideia, já que estamos numa clausura forçada onde muitas questões acabam por eclodir das nossas cabeças. Me sinto, aliás, o próprio bicho com sete cabeças enormes, tamanho o emaranhado de pensamentos e questionamentos que me assolam no momento.

 

Dos cinco sentidos (concretos) que possuímos, o que mais me atrai é a visão porque me faz enxergar o mundo e ver a beleza das flores e das cores, viajar por entre os diferentes povos vendo como as pessoas vivem, como se comunicam, o que gostam de comer, como preparam seus alimentos, se vestem, se divertem, onde vão e o que as atrai. Enxergar o outro e poder olhar além daquilo que vemos com os olhos me parece encantador. Como elas se sentem, quais são seus medos e esperanças, como rezam, como clamam por socorro e como se acalmam em tempos difíceis. Poder ver com os olhos é uma experiência maravilhosa. Uma dádiva, eu diria. Mas poder enxergar com a alma, talvez seja uma benção conquistada por poucos, através do (então) sexto sentido. Observe o seu entorno e veja como estão aqueles do seu afeto ou convívio. Será mesmo que eles estão transmitindo aquilo que realmente sentem? Será que por trás de um sorriso há mesmo um sorriso, ou uma tentativa hercúlea de se manter de pé? A visão, em mescla com um sentimento mais aguçado, pode produzir verdadeiros milagres na arte de ler a alma.